sábado, janeiro 27, 2007

Revista de Vinhos


Num excelente artigo assinado por João Paulo Martins sobre queijos e ligações vinícas, o jornalista sugere um conjunto de regras simples de modo que, os leitores possam disfrutar de todas as potencialidades da conjugação queijo/vinho:
"Três Regras Simples :
1- queijo de sabor forte com vinho doce;
2- os mais gordos com vinhos de boa acidez;
3- os mais simples e frescos com vinhos frutados."
Ficamos a saber no mesmo artigo as ligações a evitar:
"1. Tintos muito taninosos (pelo choque entre a gordura e o tanino que originará um gosto metálico)
2. Os vinhos muito velhos porque o corpo delgado e a ausência de estrutura tendem a apagar-se perante o queijo
3. Os «grandes tintos» com a tábua de queijos. Reserve-os para outras iguarias."




terça-feira, janeiro 23, 2007

Comissão Vitivinicola Regional Alentejana


"...O director da Revista de Vinhos, Luis Lopes, esteve no Brasil para apresentar e comentar uma dúzia de grandes tintos Alentejanos selecionados por sí."


  • Herdade do Perdigão Reserva tinto 2003
  • Marquês de Borba Reserva tinto 2000
  • Dolium Selection Trincadeira tinto 2004
  • Cortes de Cima Reserva tinto 2003
  • Esporão Private Selection Garrafeira tinto 2003
  • Herdade dos Grous Reserva tinto 2004
  • Quinta do Carmo Reserva tinto 2003
  • Vale de Ancho tinto 2003
  • Quinta do Mouro tinto 2001
  • Pêra-Manca tinto 2003
  • Joaquim Madeira tinto 2004
  • Mouchão tonel 3-4 tinto 2002




Mouchão 2002

Bebido com atenção este vinho é um caso sério, uma fonte de prazer, onde a àgua não é o actor principal, mas sim a arte, o engenho e o terroir, condensados numa garrafa, pela mão do Enólogo Paulo Laureano.
Muito químico no aroma, ginja, mentolado. Fresco, vigoroso e envolvente na boca, taninos acetinados. " From Alentejo with love".
Castas Portuguesas

Síria (Roupeiro):
" É a casta branca que domina em Portugal. Sensível à oxidação.
Infelizmente muito pouco estudada do ponto de vista sensorial, os descritores aromáticos mais encontrados referem frutos maduros como a ameixa branca, melão, fruto tropical, erva cortada."
Aníbal Coutinho
Os melhores 225 vinhos...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Designações Oficiais

Denominação de Origem:
" - Conceito aplicável à designação de determinados vinhos cuja originalidade e individualidade estão ligados de forma indissociável a uma determinada região, sendo:
vinhos originários e produzidos nessa região
vinhos cuja qualidade ou características se devem essencial ou exclusivamente ao meio geográfico incluindo os factores naturais e humanos. Para beneficiar de uma Denominação de Origem, todo o processo de produção do vinho é sujeito a um controlo rigoroso em todas as suas fases, desde a vinha até ao consumidor. As castas utilizadas, os métodos de vinificação, as características organolépticas são apenas alguns dos elementos cujo controlo permite a atribuição desse direito, cabendo às Comissões Vitivinícolas Regionais proceder a esse controlo de forma a garantir a genuinidade e qualidade dentro das suas regiões demarcadas. (Lei nº. 8/85, de 4 de Junho) . "
Instituto da Vinha e do Vinho
Castas Portuguesas

Moscatel Graúdo:
" Há várias variedades de Moscatel no mundo, todas elas com a mais importante concentração de compostos (térpenicos), aromáticos varietais. Esta variedade domina a Sul, enquanto que no Norte se implanta a Moscatel Galego. Os aromas tipicos são bem conhecidos: casca e flor de citrinos, mel, tília, rosa, líchias, feno e passa de uva. "
Aníbal Coutinho
Os Melhores 225 Vinhos...

domingo, janeiro 14, 2007


Três Bagos 2005 (Lavradores de Feitoria)

Uvas provenientes do Cima Corgo, onde o factor altitude, bem como as noites frescas, contribuem para uma boa acidez natural, produziu-se mais um agradável branco dos "Lavradores de Feitoria".
Viosinho e Sauvignon Blanc, são as castas que dão ao vinho um perfíl; visualmente, limpído, de cor citrina e aroma fresco, num fundo floral, onde a madeira está omnipresente, dando complexidade, sem lascar. Sensação de mineralidade na prova de boca, fruta fresca, muito boa acidez, apelativo e sedutor.
Relembra em dias solarengos os dias distantes da Primavera.
A componente herbal do sauvignon, bem como o vigor da casta Viosinho, transportam-nos para um mundo onde a sofisticação do perfíl vinico se agrega às características seculares de um Terroir, com muito por desvendar.


Follies Chardonnay e Maria Gomes 2005


Limpido, citrino, frutos tropicais no aroma, com predominância para o Ananás e frutos de polpa branca, tostado da madeira (oriundo da fermentação e estagio do chardonnay em madeira de carvalho francês), aromas florais e cítricos da Maria Gomes ( Fernão Pires, no Ribatejo).
Envolvente na boca, equilibrado e complexo, o prazer entra sem pedir licença.
Por mim vou comprar o número máximo de garrafas possível.
A expectativa dos meus clientes é superada pela qualidade dos "Follies" da Aveleda. De quem será a culpa???

Conselho amigo, comprem,. O preço é um pormenor, perante um liquido que enche e preenche cada receptor do puro prazer, quer gastronómico, quer intelectual. Claro que a dois faz todo o sentido.

Quinta dos Carvalhais Espumante Reserva Rosé 2002

Salmonado na cor, bolha fina e persistente.
Aroma a frutos vermelhos. Boa "Mousse" na boca a dar elegância ao conjunto. Mineral, Acídulo, frutado, estimulante e prolongado.
Em alturas em que as palavras não surgem, uma flûte deste espumante transforma o momento em poesia.
Um Peixe na brasa, liga na perfeição.
Não tenha problemas em pagar ligeiramente acima dos 20,00€, o prazer compensa.


Herdade da Figueirinha 2003 Tinto


Vinho elaborado pelo enólogo António Saramago e produzido pela Sociedade Agricola Monte Novo e Figueirinha, Lda.
Foram produzidas 50.000 garrafas deste vinho " Regional Alentejo " de 13ºgraus; acidez total de 5,9 g/lt; com um PH de 3,3 e com 70 g/lt de açucares redutores. As castas presentes são as: Trincadeira; Aragonês; Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon.

Limpido, granada, com nuances acastanhadas, aroma a frutos vermelhos, confitado, algum mentolado a realçar a componente vegetal.
Na boca apresenta-se redondo, com taninos macios, no entanto presentes, acídulo. Intensidade médio mais.

Uma vez que o actual preço em nada tem a haver com a especulação inicial, recomenda-se vivamente.
Castas Portuguesas

" Fernão Pires ( Maria Gomes):
Uma das castas brancas mais disseminadas por todo o país. Tem um nivel perceptível de compostos aromáticos varietais (terpenos) apenas ultrapassado pela inimitável Moscatel, parca de acidez, é descrita sensorialmente com notas de rosa, tília, líchia, manjerico e outras ervas limonadas. "
Aníbal Coutinho
Os Melhores 225 Vinhos...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Castas Portuguesas

" Castelão (João de Santarém):
A casta dominante a Sul do Tejo e na Estremadura ocupa mais de metade do encepamento da Península de Setúbal. Muito produtiva e com a acidez mais elevada do que as comadres Aragonez e trincadeira, é caracterizada por descrítores aromáticos como cereja, bolota, pinhão, groselha, framboesa. Também se referem notas animais e de couro. "
Aníbal Coutinho
Os melhores 225 vinhos...
Castas Portuguesas

Baga:
" Casta muito importante nas Beiras, sobretudo para a «Denominação de Origem Bairrada», tem abrolhamento e maturação tardios, o que a penaliza quando é colhida antes do ponto ótimo devido às frequentes chuvas de Setembro. Torna-se herbácea e fonte de aromas animais, sobretudo nas vinificações com técnica clássica. Aromaticamente nota-se um fumado varietal, por vezes reconhecido como notas de madeira; café torrado, doçura de frutos vermelhos e cereja, ligeiro mel e floral. "
Aníbal Coutinho
Os melhores 225 vinhos...

quinta-feira, janeiro 11, 2007



APONTAMENTO HISTÓRICO
A Vinha e o Vinho em Portugal
Desde os tempos mais remotos, o vinho tem vindo a desempenhar um papel de relevo em quase todas as civilizações. "Fruto da videira e do trabalho do Homem", não é ultrapassado por nenhum outro produto da agricultura, aliando esse fruto saboroso e nutritivo à bebida privilegiada, precioso néctar, dele extraída.
Repleto de simbologia, impregnado de religiosidade e de misticismo, o vinho surge desde muito cedo na nossa literatura, tornando-se fonte de lendas e inspiração de mitos.
As expressões "dádiva de deuses", "Sangue de Cristo", e "essência da própria vida" atribuídas a este produto corroboram bem o papel do vinho na vertente cultural bem como a sua importância na nossa civilização, a que chamamos "ocidental", cujos fundamentos se encontram no direito romano e na religião cristã, que desde sempre enalteceram e dignificaram este saboroso líquido.
Mas... tentemos fazer uma pequena viagem até às mais recônditas origens, na história da vinha e do vinho em Portugal.

2 000 anos a.C.; séc.X a.C.- séc.II a.C.Reino de Tartessos; Fenícios e Gregos; Celtas e Iberos
Embora envolto em muitas dúvidas e mitos, pensa-se que a vinha terá sido cultivada pela primeira vez em terras da Península Ibérica (vale do Tejo e Sado), cerca de 2 000 anos a.C., pelos Tartessos, dos mais antigos habitantes desta Península, cuja civilização parece ter sido bastante avançada. Estes habitantes estabeleciam negociações comerciais com outros povos, permutando diversos produtos, entre os quais o vinho, que veio a servir, provavelmente, de moeda de troca no comércio de metais.

Os Fenícios, cerca do século X a.C., acabaram por se apoderar do comércio dos Tartessos, incluindo o respeitante aos vinhos. Pensa-se que tenham trazido algumas castas de videiras que introduziram na Lusitânia.
No século VII a.C. os Gregos instalaram-se na Península Ibérica e desenvolveram a viticultura, dando uma particular atenção à arte de fazer vinho.Na necrópole de Alcácer do Sal foi encontrada uma "cratera" grega de sino, vaso onde os Gregos diluíam o vinho com água antes de o consumirem.

Alguns autores referem que Ulisses, ao fundar a cidade de Lisboa (a que deu o nome de Ulisseia ou Olisipo) seguiu o costume usado nas suas viagens, oferecendo vinho para festejarem com ele as boas vindas.
Crê-se que no século VI a.C. os Celtas, a quem a videira já era familiar, teriam trazido para a Península as variedades de videira que cultivavam. É também provável que tenham trazido técnicas de tanoaria.

Os Celtas e os Iberos fundiram-se num só povo - os Celtiberos -, ascendentes dos Lusitanos, povo que se afirma no século IV a.C.
Séc.II a.C. a Século VII d.C.Romanos e Povos Bárbaros
A expansão guerreira de Roma na Península Ibérica conduziu aos primeiros contactos com os Lusitanos, cerca de 194 a.C.Seguiram longos anos de lutas de guerrilha, só vencidas pelos Romanos dois séculos depois, com a conquista de toda a Península em 15 a.C., conseguindo subjugar os Lusitanos.

A romanização na Península contribuiu para a modernização da cultura da vinha, com a introdução de novas variedades e com o aperfeiçoamento de certas técnicas de cultivo, designadamente a poda.
Nesta época, a cultura da vinha teve um desenvolvimento considerável, dada a necessidade de se enviar frequentemente vinho para Roma, onde o consumo aumentava e a produção própria não satisfazia a procura.

Seguiram-se as invasões bárbaras e a decadência do Império Romano. A Lusitânia foi disputada aos romanos por Suevos e Visigodos que acabaram por vencê-los em 585 d.C, tendo-se dado, com o decorrer do tempo, a fusão de raças e de culturas, passando-se do paganismo à adopção do Cristianismo.
É nesta época (séculos VI e VII d.C.), que se dá a grande expansão do Cristianismo (apesar de já ser conhecido na Península Ibérica desde o séc. II). O vinho torna-se então indispensável para o acto sagrado da comunhão. Os documentos canónicos da época evidenciam a "obrigatoriedade" da utilização do vinho genuíno da videira na celebração da missa (produto designado por "não corrompido", ao qual tivesse sido apenas adicionada uma pequena porção de água).

Ao assimilar a civilização e religião dos romanos, os "bárbaros" adoptaram igualmente o vinho, considerando-o como a bebida digna de povos "civilizados". No entanto, não introduziram quaisquer inovações no cultivo da videira.
Século VIII a XIIAlta Idade Média - Invasão dos Árabes
No início do Século VIII outras vagas de invasores se seguiram, desta vez vindas do Sul. Com a influência árabe começava um novo período para a vitivinicultura Ibérica.
O Corão proibia o consumo de bebidas fermentadas, onde o vinho se inclui. No entanto, o emir de Córdoba que governava a Lusitânia, mostrou-se tolerante para com os cristãos, não proibindo a cultura da vinha nem a produção de vinho. Havia uma razão: para os Árabes, a agricultura era importantíssima, aplicando-se aos agricultores uma política baseada na benevolência e protecção, desde que estes se entregassem aos trabalhos rurais, para deles tirarem o melhor proveito. Mesmo no Algarve, onde o período do domínio árabe foi mais longo, ultrapassando cindo séculos, produziu-se sempre vinho, embora se seguissem os preceitos islâmicos.
Lisboa manteve, deste modo, o seu comércio tradicional de exportação de vinho.

Nos séculos XI e XII, com o domínio dos Almorávidas e Almoadas, os preceitos do Corão foram levados com maior rigor, dando-se, então, uma regressão na cultura da vinha.
Século XII a XIVBaixa Idade Média
Entre os séculos XII e XIII, o vinho constituiu o principal produto exportado. Documentos existentes, designadamente doações, legados, livros ou róis de aniversários, livros de tombos de bens, etc., confirmam a importância da vinha e do vinho no território português, mesmo antes do nascimento da nacionalidade. Conhecem-se doações que incluíam vinhas ao Mosteiro de Lorvão, entre 950 e 954.
Entretanto, já se tinha iniciado a Reconquista Cristã. As lutas dão-se por todo o território e as constantes acções de guerra iam destruindo as culturas, incluindo a vinha.

A fundação de Portugal, em 1143 por D. Afonso Henriques, e a conquista da totalidade do território português aos mouros, em 1249, permitiu que se instalassem Ordens religiosas, militares e monásticas, com destaque para os Templários, Hospitalários, Sant'Iago da Espada e Cister, que povoaram e arrotearam extensas regiões, tornando-se activos centros de colonização agrícola, alargando-se, deste modo, as áreas de cultivo da vinha.O vinho passou, então, a fazer parte da dieta do homem medieval começando a ter algum significado nos rendimentos dos senhores feudais. No entanto, muita da sua importância provinha também do seu papel nas cerimónias religiosas. Daí o interesse dos clérigos, igrejas e mosteiros, então em posição dominante, pela cultura da vinha.
Os vinhos de Portugal começaram a ser conhecidos até no norte da Europa. Consta que o duque de Lencastre, após o seu desembarque na Galiza, quando veio a Portugal em auxílio de D. João I na luta contra Castela, conhecendo já a fama dos nossos vinhos, mostrou desejo de provar o vinho de Ribadavia, tendo-o achado "muito forte e fogoso"...

Foi na segunda metade do século XIV, que a produção de vinho começou a ter um grande desenvolvimento, renovando-se e incrementando-se a sua exportação.
Século XV - XVIIIdade Moderna - Renascimento
Nos séculos. XV e XVI, no período da expansão portuguesa, as naus e galeões que partiram em direcção à Índia, um dos produtos que transportavam era o vinho. No período áureo que se seguiu aos Descobrimentos, os vinhos portugueses constituíam lastro nas naus e caravelas que comercializavam os produtos trazidos do Brasil e do Oriente.

Será talvez oportuno referirem-se aqui os vinhos de "Roda" ou de "Torna Viagem". Se pensarmos quanto tempo demoravam as viagens... Eram, na generalidade, cerca de seis longos meses em que os vinhos se mantinham nas barricas, espalhadas pelos porões das galés, sacudidas pelo balancear das ondas, ou expostos ao sol, ou por vezes até submersas na água dos do fundo dos navio... E o vinho melhorava!Tal envelhecimento suave era proporcionado pelo calor dos porões ao passarem, pelo menos duas vezes, o Equador e pela permanência do vinho nos tonéis, tornando-os ímpares, preciosos e, como tal, vendidos a preços verdadeiramente fabulosos. O vinho de "roda" ou de "torna viagem" veio assim facultar o conhecimento empírico de um certo tipo de envelhecimento, cujas técnicas científicas se viriam a desenvolver posteriormente.

Em meados do século XVI, Lisboa era o maior centro de consumo e distribuição de vinho do império - a expansão marítima portuguesa levava este produto aos quatro cantos do mundo.
Chegados ao século XVII, o conjunto de publicações de várias obras de cariz geográfico e relatos de viagens, quer de autores portugueses, quer de autores estrangeiros, permite-nos entender o percurso histórico das zonas vitivinícolas portuguesas, o prestígio dos seus vinhos e a importância do consumo e do volume de exportações.
Século XVIII a XXIdade Contemporânea
Em 1703, Portugal e a Inglaterra assinaram o Tratado de Methwen, onde as trocas comerciais entre os dois países foram regulamentadas. Ficou estabelecido um regime especial para a entrada de vinhos portugueses em Inglaterra. A exportação de vinho conheceu então um novo incremento.

No século XVIII, a vitivinicultura, tal como outros aspectos da vida nacional, sofreu a influência da forte personalidade do Marquês de Pombal.
Assim, uma grande região beneficiou de uma série de medidas proteccionistas - a região do Alto Douro e o afamado Vinho do Porto. Em consequência da fama que este vinho tinha adquirido, verificou-se um aumento da sua procura por parte de outros países da Europa, para além da Inglaterra, importador tradicional. As altas cotações que o Vinho do Porto atingiu fizeram com que os produtores se preocupassem mais com a quantidade do que com a qualidade dos vinhos exportados, o que esteve na origem de uma grave crise.Para pôr fim a esta crise, o Marquês de Pombal criou, por alvará régio de 10 de Setembro de 1756, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, com o fim de disciplinar a produção e o comércio dos vinhos da região, prevendo ainda a necessidade de se fazer, urgentemente, a demarcação da região, o que veio a concretizar-se. Assim, segundo alguns investigadores, foi esta a primeira região demarcada oficialmente no mundo vitivinícola.

O século XIX foi um período negro para a vitivinicultura. A praga da filoxera, que apareceu inicialmente na região do Douro em 1865, rapidamente se espalhou por todo o país, devastando a maior parte das regiões vinícolas. Colares foi a única excepção, porque a filoxera não se desenvolve nos terrenos de areia, onde as suas vinhas se cultivam, ainda hoje.Assim, para fazer face a este flagelo, logo em 1866, António Augusto de Aguiar, juntamente com João Inácio Ferreira Lapa e o Visconde de Vila Maior, foram encarregados de avaliar a situação dos centros vinícolas do país e de estudar os processos que neles se adoptavam. Este conhecimento da situação concreta da vitivinicultura portuguesa, levou António Augusto de Aguiar à nomeação de Comissário Régio na Exposição de Vinhos, realizada em Londres, em 1874. Foi justamente no âmbito da sua participação nesta exposição e da digressão científica que fez pelos países europeus produtores de vinhos, que desencadeou a análise crítica e audaz ao sector vitivinícola nacional, expressa nas famosas Conferências sobre Vinhos, proferidas por António Augusto de Aguiar, em 1875, no Teatro de D. Maria e, posteriormente, no da Trindade.

O início do século XX, foi marcado pela Exposição Universal de Paris emblematicamente inaugurada em 1900. Portugal participou activamente neste evento, dedicando especial atenção à secção de Agricultura, por todos considerada o sector mais importante da nossa representação. Deste evento, ficou-nos a obra fundamental de B. C. Cincinnato da Costa, "Le Portugal Vinicole", editada especificamente para ser apresentada na exposição.

Em 1907/1908, iniciou-se o processo de regulamentação oficial de várias outras denominações de origem portuguesas. Para além da região produtora de Vinho do Porto e dos vinhos de mesa Douro, demarcavam-se as regiões de produção de alguns vinhos, já então famosos, como são o caso dos vinhos da Madeira, Moscatel de Setúbal, Carcavelos, Dão, Colares e Vinho Verde.
Com o Estado Novo (1926/1974), foi iniciada a "Organização Corporativa e de Coordenação Económica", com poderes de orientação e fiscalização do conjunto de actividades e organismos envolvidos. Foi neste contexto que se criou a Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal (1933), organismo corporativo dotado de grandes meios e cuja intervenção se marcava, fundamentalmente, na área da regularização do mercado.
À Federação, seguiu-se a Junta Nacional do Vinho (JNV) (1937), organismo de âmbito mais alargado, que intervinha tendo em conta o equilíbrio entre a oferta e o escoamento, a evolução das produções e o armazenamento dos excedentes, em anos de grande produção, de forma a compensar os anos de escassez.

A JNV veio a ser substituída em 1986 (D.L. nº 304/86 de 22 de Setembro) pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), organismo adaptado às estruturas impostas pela nova política de mercado decorrente da adesão de Portugal à Comunidade Europeia.Surge, então, uma nova perspectiva na economia portuguesa e, consequentemente, na viticultura. O conceito de Denominação de Origem foi harmonizado com a legislação comunitária, e foi criada a classificação de "Vinho Regional", para os vinhos de mesa com indicação geográfica, reforçando-se a política de qualidade dos vinhos portugueses.
Com objectivos de gestão das Denominações de Origem e dos Vinhos Regionais, de aplicação, vigilância e cumprimento da respectiva regulamentação, foram constituídas Comissões Vitivinícolas Regionais (associações interprofissionais regidas por estatutos próprios), que têm um papel fundamental na preservação da qualidade e do prestígio dos vinhos portugueses.
Actualmente estão reconhecidas e protegidas, na totalidade do território português,33 Denominações de Origem e 8 Indicações Geográficas.

Algumas curiosidades históricas
Moscatel de Setúbal - (1381) Nesta data Portugal já exportava grande quantidade deste vinho para a Inglaterra.
Vinho do Porto - o Tratado de Methwen (1703) assinado entre Portugal e a Grã-Bretanha, contribuiu para a popularidade deste vinho que beneficiava de taxas aduaneiras preferenciais. Durante o século XVIII, para os ingleses, vinho era praticamente sinónimo de vinho do Porto.
Vinhos da Bairrada - No Reinado de D. Maria I (1734/1816) os vinhos portugueses adquiriram grande projecção, tendo-se iniciado a exportação de vinhos, com destaque para os desta região, que foram exportados para a América do Norte, França, Inglaterra e, em especial, para o Brasil, onde eram muito apreciados.

Vinho de Bucelas - Com as Invasões Francesas (1808/1810) este vinho começou a ser conhecido internacionalmente. Wellington apreciava-o de tal maneira que o levou de presente ao então príncipe regente, mais tarde Jorge III de Inglaterra. Depois da Guerra Peninsular, este vinho tornou-se um hábito na corte Inglesa.No tempo de Shakespeare (1564/1613) o vinho de Bucelas era conhecido por "Lisbon Hock" (vinho branco de Lisboa) (1564/1613).
Vinho de Carcavelos - (1808/1810) foi bem conhecido das tropas de Wellington que o levaram para Inglaterra, tendo sido, durante largos anos, exportado em grandes quantidades.
Vinho da Madeira - (1808/1810) Considerado um dos vinhos de maior requinte nas cortes europeias, tendo chegado mesmo a ser usado como perfume para os lenços das damas da corte. Na corte inglesa este vinho rivalizava com o vinho do Porto. Shakespeare (1564/1613) referiu-se ao vinho da Madeira como essência preciosa, na sua peça "Henrique IV".O duque de Clarence, irmão de Eduardo IV (séc. XV) deixou o seu nome ligado a este vinho quando, ao ter sido sentenciado à morte na sequência de um atentado contra o seu irmão, escolheu morrer por afogamento num tonel de Malvasia da Madeira.Mas para além da Inglaterra, também a França, a Flandres e os Estados Unidos o importavam.Francisco I (1708/1765), orgulhava-se de o possuir e considerava-o "o mais rico e delicioso de todos os vinhos da Europa". As famílias importantes de Boston, Charleston, Nova Iorque e Filadélfia disputavam umas às outras os melhores vinhos da Madeira.

Vinho do Pico - Açores - (Séc. XVIII) foi largamente exportado para o Norte da Europa e até mesmo para a Rússia. Depois da revolução (1917), foram encontradas garrafas de vinho "Verdelho do Pico" armazenadas nas caves dos antigos czares.
Instituto da Vinha e do Vinho

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Castas Portuguesas

Arinto (Perdernã) :
" Casta disseminada por todo o país. De abrolhamento e maturação a meio da época, tem uma acidez natural elevada. Muito afamada em Bucelas, esta casta é descrita aromaticamente por riqueza cítrica, ligeiro floral e frutos tropicais intensos, sobretudo o ananás. "
Aníbal Coutinho
Os Melhores 225 vinhos...

terça-feira, janeiro 09, 2007


" Quinta da Pacheca Reserva 2003 "

Fruta madura no aroma, intenso. Na boca apresenta uma densidade envolvente, taninos secos e vigorosos.
" Casa da Atela Sauvignon 2005 "

Limpido, palha descorado, herbal no aroma.
Na boca apresenta-se com algum volume, de intensidade média, acídulo e fresco. Vegetal no aroma de boca.

domingo, janeiro 07, 2007

Diário de Noticias, Domingo, 7 de Janeiro, 2007
" a lista dos cem melhores vinhos de 2006 da prestigiada revista norte-americana Wine Spectactor inclui quatro vinhos da Região Demarcada do Douro. O «Quinta do Vale Meão de 2004», o vinho nacional mais bem classificado, ocupa o 18º lugar, seguindo-se o «Reserva Old Vines 2004» da Quinta do Crasto (47º), o «Churchill Estates 2004» (69º) e o «Altano Reserva 2003» (97º).



O Natal passou. No entanto ficam em memória olfactiva e gustativa as descobertas provenientes de compras mais ou menos estudadas e fundamentadas, tanto em função do orçamento bem como das cábulas que nos permitem com uma certa segurança e alguma pouca margem de erro, fazer de cada compra, uma compra segura, no que se refere ao vinho.
Entristeceu-me descobrir tão tarde ( mas, mais vale tarde que nunca), o « Herdade porto da Bouga» do enólogo António Saramago. Chegado a prateleira expositora do " Pingo Doce" deparei-me com produtos que, em função do preço me despertaram uma certa curiosidade, exitei duas vezes antes de retirar o " Bouga " da prateleira. Chegado a casa e tendo o vinha à uma temperatura de 17/18 graus abri o mesmo, servi no copo, e não o incomodei durante dez minutos. Fruta madura, madeira presente sem marcar excessivamente (madeira usada). Na boca, boa densidade, intensidade média mais, àcidez a dar vivacidade ao conjunto, acompanhada de taninos polidos, a sensação de potência, elegância e envolvência é derivado de um trabalho, do saber e do fazer. António Saramago, parabens.
O " Bouga " é um vinho com qualidade, como tantos outros, a forma que me leva a escrever tão positivamente sobre o citado é o preço, oscilando entre 4,35 / 4,75 euros.

domingo, setembro 03, 2006


O chef José Avillez, no artigo "Sobre o Vinho na Comida, revista "Wine Passion" tenta desmistificar a dicotomia: vinho, alimento, bem como todo o conceito adjacente à fusão dos mesmos,sejam por oposição, por casamento ou tão somente pela sugestão que um fim de tarde nos transmite, podendo desse modo em função do que sentimos, escolher o vinho que melhor se adequa ao nosso estado de espirito.

"Escolher o vinho é um desafio aliciante. Mesmo não sendo um perito na matéria, há uma capacidade intuitiva em todos nós que não devemos desperdiçar.
Pense e aja com naturalidade, e lembre-se que também aqui, como quase tudo na vida, a regra chave é a do equilíbrio, da harmonia e neste caso de sabores."

"O que é importante-e aí escude-se na sua intuição-é o equilibrio das forças: ou seja, ha que pensar se a estrutura e a densidade do vinho é adequada à estrutura e densidade do prato; e aqui podemnos ir da delicadeza à potência, passando por todos os estados intermédios, dentro das infinitas matrizes que o vinho e a comida nos podem apresentar."

"Para que aja harmonia, é importante não deixar que o vinho se sobreponha à comida, isto é, que as suas características não «abafem» os sabores do prato que vai acompanhar, e de igual forma, que a comida não se evidencie demasiado face o vinho."

"Curiosamente, a harmonia pode encontrar-se por semelhança ou por contraste. Ou seja, tendo em conta as principais características do prato e do vinho, o casamento entre os dois pode resultar porque estas se aproximam(por exemplo, para um prato com cogumelos escolha um vinho mineral com «ligação à terra»), ou porque contrastam(por exemplo, um peixe gordo como o salmão liga sempre bem com um vinho mais ácido, que vai cortar a gordura do peixe).
O que pretendemos nesta união, para que seja perfeita, é que, caminhando lado a lado, um vá enaltecer e valorizar as qualidades do outro."

"Não se deixe impressionar por «clichés» que dizem que vinhos brancos só com peixe e tintos com carne. E até há quem afirme que "vinho é tinto!" e, assim fosse, auxiliava-nos no problema da escolha.
Hoje excelentes vinhos brancos, desde os leves e ácidos passando pelos frutados até aos encorpados com madeira. Se os primeiros são bem mais agradáveis como aperitivos, mariscos simples ou mesmo um peixe de escabeche, portanto, avinagrado e ácido, já um prato de peixe elaborado, como seja um pregado assado no forno, exige um vinho branco mais majestoso e, até talvez um tinto mais leve, mas capaz de fazer sobressair os gostos elaborados do prato.
Quanto aos tintos, podem ir dos mais leves até aos «potentes», com idade aos quais estágios mais ou menos prolongados em madeira revelaram sabores terciários de couro, a caça e húmos.Se estes últimos convêm a uma peça de caça refinadamenteconfeccionada, ou a assados prolongados que adquiram o gosto caramelizado da carne, os vinhos tintos mais jovens e mais leves acercar-se-ão com mais facilidade de um prato de bacalhau, umas costoletas de borrego panadas ou até um belo frango do campo cozinhado a preceito.
Curiosamente se o mesmo for apenas cozido ou tiver a acompanhá-lo um molho de natas, poderemos voltar, ao vinho branco estagiado em madeira que lhe fará boa companhia.
Seguindo a sua intuição não deixe de se questionar a propósito do prato que vai acompanhar:
É um prato salgado, cozido, grelhado, feito no forno, com alguma erva que sobressaia, alguma especiaria dominante? É um prato de terra ou de mar, prato pesado, com mais gordura, ou por outro lado é suave e fresco?
E também ter em atenção a quem o vamos servir. E a que hora do dia. E qual a estação do ano, se está um dia quente ou frio. Se nos vamos sentar numa mesa de casa de jantar ou numa toalha de «pic-nic» no jardim."

"É com base nestas noções, e depois de atender às questões propostas, que devemos ir a procura do vinho que nos parece mais adequado, tendo sempre presente a subjectividade destas matérias, que no limite dependem do gosto de cada um."