domingo, setembro 03, 2006


O chef José Avillez, no artigo "Sobre o Vinho na Comida, revista "Wine Passion" tenta desmistificar a dicotomia: vinho, alimento, bem como todo o conceito adjacente à fusão dos mesmos,sejam por oposição, por casamento ou tão somente pela sugestão que um fim de tarde nos transmite, podendo desse modo em função do que sentimos, escolher o vinho que melhor se adequa ao nosso estado de espirito.

"Escolher o vinho é um desafio aliciante. Mesmo não sendo um perito na matéria, há uma capacidade intuitiva em todos nós que não devemos desperdiçar.
Pense e aja com naturalidade, e lembre-se que também aqui, como quase tudo na vida, a regra chave é a do equilíbrio, da harmonia e neste caso de sabores."

"O que é importante-e aí escude-se na sua intuição-é o equilibrio das forças: ou seja, ha que pensar se a estrutura e a densidade do vinho é adequada à estrutura e densidade do prato; e aqui podemnos ir da delicadeza à potência, passando por todos os estados intermédios, dentro das infinitas matrizes que o vinho e a comida nos podem apresentar."

"Para que aja harmonia, é importante não deixar que o vinho se sobreponha à comida, isto é, que as suas características não «abafem» os sabores do prato que vai acompanhar, e de igual forma, que a comida não se evidencie demasiado face o vinho."

"Curiosamente, a harmonia pode encontrar-se por semelhança ou por contraste. Ou seja, tendo em conta as principais características do prato e do vinho, o casamento entre os dois pode resultar porque estas se aproximam(por exemplo, para um prato com cogumelos escolha um vinho mineral com «ligação à terra»), ou porque contrastam(por exemplo, um peixe gordo como o salmão liga sempre bem com um vinho mais ácido, que vai cortar a gordura do peixe).
O que pretendemos nesta união, para que seja perfeita, é que, caminhando lado a lado, um vá enaltecer e valorizar as qualidades do outro."

"Não se deixe impressionar por «clichés» que dizem que vinhos brancos só com peixe e tintos com carne. E até há quem afirme que "vinho é tinto!" e, assim fosse, auxiliava-nos no problema da escolha.
Hoje excelentes vinhos brancos, desde os leves e ácidos passando pelos frutados até aos encorpados com madeira. Se os primeiros são bem mais agradáveis como aperitivos, mariscos simples ou mesmo um peixe de escabeche, portanto, avinagrado e ácido, já um prato de peixe elaborado, como seja um pregado assado no forno, exige um vinho branco mais majestoso e, até talvez um tinto mais leve, mas capaz de fazer sobressair os gostos elaborados do prato.
Quanto aos tintos, podem ir dos mais leves até aos «potentes», com idade aos quais estágios mais ou menos prolongados em madeira revelaram sabores terciários de couro, a caça e húmos.Se estes últimos convêm a uma peça de caça refinadamenteconfeccionada, ou a assados prolongados que adquiram o gosto caramelizado da carne, os vinhos tintos mais jovens e mais leves acercar-se-ão com mais facilidade de um prato de bacalhau, umas costoletas de borrego panadas ou até um belo frango do campo cozinhado a preceito.
Curiosamente se o mesmo for apenas cozido ou tiver a acompanhá-lo um molho de natas, poderemos voltar, ao vinho branco estagiado em madeira que lhe fará boa companhia.
Seguindo a sua intuição não deixe de se questionar a propósito do prato que vai acompanhar:
É um prato salgado, cozido, grelhado, feito no forno, com alguma erva que sobressaia, alguma especiaria dominante? É um prato de terra ou de mar, prato pesado, com mais gordura, ou por outro lado é suave e fresco?
E também ter em atenção a quem o vamos servir. E a que hora do dia. E qual a estação do ano, se está um dia quente ou frio. Se nos vamos sentar numa mesa de casa de jantar ou numa toalha de «pic-nic» no jardim."

"É com base nestas noções, e depois de atender às questões propostas, que devemos ir a procura do vinho que nos parece mais adequado, tendo sempre presente a subjectividade destas matérias, que no limite dependem do gosto de cada um."

terça-feira, agosto 22, 2006


MECANISMOS DA DEGUSTAÇÃO

Palato
"As células sensiveis ao gosto estão localizadas unicamente na língua, nas pequenas saliências chamadas «pupilas». Estas, em forma de cogumelo, têm cada uma um mmilimetro de diâmetro e estão apetrechadas com algumas centenas de censores «gustativos». Estão repartidas sobre a lingua de forma muito irregular e não existem na zona central. Todo o resto da boca está desprovido de papilas.
São quatro os gostos elementares recebidos pelas papilas da língua: o «doce», e o «ácido», o «salgado» e o «amargo». O resto é percepção táctil ou de origem química.
Dos quatro gostos elementares, apenas um é realmente agradável: o gosto açucarado.As outras sensações no estado puro são desagradáveis e apenas suportadas quando compensadas por sabores doces."

"O vinho possuí os quatro "gostos" elementares; o gosto «açucarado» é-lhe dado pelo álcool e eventualmente pelo seu teor de açúcar, o gosto «ácido» pelos ácidos orgânicos livres, o gosto «salgado» pelos sais, o gosto «amargo» pelos compostos fenólicos, normalmente chamados taninos. Na degustação de um vinho estes quatro "gostos" não são perceptíveis ao mesmo tempo; aparecem uns após os outros. Na sequência das sensações gustativas distinguem-se três fases: «o ataque» ou gosto instantâneo, que é sentido nos primeiros segundos; «a evolução» é a variação contínua da sensação; «o final» ou «fim de boca» é a impressão sentida no fim da degustação. Por fim chama-se «gosto final» a uma sensação final diferente das anteriores sentidas e que é geralmente desagradável."

"Na degustação de um vinho, o ataque (os dois ou três primeiros segundos) é sempre agradável; é uma sensação macia, adocicada, e que é devida especialmente ao álcool: pouco a pouco os outros sabores vêm mascarar o gosto açucarado; no fim de boca, onde dominam o ácido e o amargo, pode ficar finalmente uma impressão menos agradável oito a dez segundos depois. Apenas os vinhos de grande qualidade se conservam agradáveis até ao fim."

sábado, agosto 19, 2006


GLOSSÁRIO DOS TERMOS DA PROVA
(Continuação)

Agradável
"Diz-se do vinho de sabor fresco e vivo."

Austero
"Vinho robusto, pouco maleável, sem encanto nem fruta. Em geral, deve-se ao facto de serem vinhos ainda muito novos."

Avançado
"Demasiado amadurecidos para a idade."

Complexo
"Quando o vinho revela muiras características diferentes."

Compota
"Sabores a fruta cozida. Falta-lhe frescura."

Cortante
"Vinho de sabor ácido, cortante e firme. Aplicado aos vinhos brancos, normalmente aos mais novos, que tendem a benefeciar com mais tempo de envelhecimento."

Cozido
"Diz-se de um vinho que sabe a cozinhados. Pense na diferença de odor e sabor entre as maçãs assadas e as frescas."

Denso
"Com cor e sabores intensos."

Duro
"Com excesso de taninos ou ácido."

Elegante
"Vinho delicioso e equilibrado."

Estrutura
"Estrutura firme, boa ou pobre. Rfere-se ao equilíbrio e à força dos principais componentes como a fruta, a acidez, o alcoól, os taninos e o açucar."

Finesse
"Muito elegante."

Herbáceo
"Que evoca sabores a erva, relva ou folhas."

Macio ou Suave
"Diz-se de vinhos sedosos, de textura suave, equilibrados e com fraca adstringência."

Magro
"Com falta de sabores e de harmonia; o contrário de redondo."

Pesado
"Falta de equilibrio; excesso de alcoól, falta de frescura e acidez."

Picante
"Ligeiras picadas de dióxido de carbono na lingua. Pode aplicar-se a vinhos brancos novos e leves, frequentemente com beneficio para estes."

Ramoso
"Um vinho com aroma e sabor magro, a verde, que lhe vem dos caules da videira."

sexta-feira, agosto 18, 2006

VOCABULARIO GUSTATIVO

Limpidez do Vinho
"Pode ser opaco, nublado ou, pelo contrário, cristalino."

Brilho do Vinho
Pode ser melancólico, triste ou, pelo contrário, cristalino."

Bouquet
"O «bouquet» resulta das alterações fisicas e quimicas do envelhecimento. As fragâncias são mais dificeis de descrever do que os aromas leves, frescos e frutados do vinho novo."

Especiarias
"A noz moscada e o tomilho são próprios de vinhos maduros pelo sol. A pimenta denota-se mais nos tintos. A baunilha é característica de vinhos envelhecidos em carvalho novo."

Aromas Vegetais
"O aroma a cogumelo é próprio de tintos conservados durante anos em garrafa. O tabaco e as folhas secas encontram-se em brancos e tintos velhos. O pimento verde, por exemplo, é fácil de encontrar na casta Cabernet sauvignon.
Ps- Referente ao C.S importa referir que a intensidade do aroma é mais acentuada em zonas frias, onde existe menor intensidade solar."

Aromas Frutados
"O cassis e/ou a framboesa, aparecem em vinhos tintos jovens. O limão e a laranja, nos vinhos frescos (com acidez) e alguns vinhos doces. Os frutos secos, como a noz e a amêndoa, surgem em grandes vinhos brancos com ligeira evolução."

Aromas Florais
"Dependendo das castas, podem variar. A Touriga Nacional, por exemplo, tem um aroma a violeta. A ácacia, com perfume fino, aparece em vinhos brancos secos e efervescentes na boca e, com um perfume mais potente, em certos vinhos tintos."

Vivacidade
"Um aroma muito vivo e límpido pode indiciar um vinho que não foi envelhecido em cascos de carvalho-muitos não o são. Alguns produtores preferem manter o seu vinho novo em cubas de aço inoxidável até ao engarrafamento, para manter toda a frescura da juventude."

Vinho Gordo ou Carnudo
"enche a boca, tem volume."

Vinho Fechado
"Alguns vinhos têm muito pouco aroma e não se consegue descortinar nada a partir dele. Alguns vinhos passam por uma fase fechada antes de atingirem a maturidade plena."
Ps- A casta baga é um exemplo.

Vinho Penetrante
"Que possui um cheiro intenso. O Sauvignon Blanc é descrito, muitas vezes como possuidor de um aroma forte."

Vinoso
"Usado para descrever um vinho novo com um cheiro forte."

Vinho com defeito
"O vinho deve ter um cheiro límpido, independentemente de outros odores que apresente. Se cheirar a papel molhado, a ovos podres, a borracha queimada, a vinagre ou a mofo, está impróprio. Pode estar óxidado, ter vestigios de rolha ou ter-se transformado em vinagre, seja qual for o motivo, estará incapaz de ser bebido."

Vinho Mau
"Não tem forma, é murcho, estreito, aquoso, limitado, grosseiro, espesso ou desequilibrado."

Vinho Bom
"Bem estruturado e constítuido, fino, equilibrado, rico, completo ou elegante. Vinho encorpado tem consistência, força."












































































quinta-feira, agosto 17, 2006


"A comida é a parte material, a bebida (vinho) a espiritual"
Ceferino Carrera

A conjugação ancestral, da alternância: sólidos, liquidos, transformou a importância do repasto num automatismo.
Os tempos modernos estão a inverter esse habito ancestral,transformando o repasto num "conceito",onde existem regras que, simplificam a conjugação e selecção dos alimentos, em função do vinho, bem como do efeito pretendido.No entanto saliente-se que o gosto individual sobrepõe-se à qualquer conceito ou moda.

Transcrevendo artigo de M.J percebemos que:«...vinhos com elevada acidez e taninos bem presentes são adequados a comidas ricas em gordura.Vinhos tintos jovens casam bem com carnes brancas, enquanto tintos com mais "pedigree" são tradicionalmente servidos com carnes vermelhas.»

Ps-Breveremente iremos dar encorpamento ao texto em épigrafe, polindo os taninos e oxigenando um pouco mais, de modo a dar maior profundidade e intensidade ao artigo em questão.

"A penincilina cura os homens, mas é o vinho que os torna felizes"
Alexandre Fleming

segunda-feira, agosto 14, 2006


O regresso tem a sua beleza, condensada num registo digital, mas com muita afectividade.