permitiram atingir um bom nível de maturação nas uvas, dando origem a vinhos de grande
expressão."
O vinho apresenta-se em Maio de 2014 com tonalidade "vermelho sobrio" (sinais de maturidade) e com intensidade corante forte, denunciando a assinatura do produtor e do seu «terroir».
O ano de 2007 foi um excelente ano para vinhos brancos e um ano muito bom para tintos. o mês de setembro proporcionou um nível de maturação às uvas que até então a frescura desse verão não tinha permitido atingir.
Os 600 metros de altitude da Quinta dos Bons Ares, no Douro Superior, na freguesia da Touça, proporcionam temperaturas mais amenas no verão. O solo granítico e altutide conferem às uvas o seu carácter mais ácido e fresco. Não é de estranhar que aqui, o Cabernet Sauvignon abandone os aromas de pimento e realce os aromas de pimentão.
O vinho fermentou a 25.ºC para concentrar os aromas e elegância, em cubas de inox - teve duas semanas de maceração: 60% da maloláctica ocorreu em cubas de inox e 40% em toneis. Após a maloláctica, estagiou em carvalho francês durante 14 meses. O tipo de tosta geralmente utilizado na Quinta dos Bons Ares é tosta media.
Quinta dos Bons Ares é sempre um blend de duas castas portuguesas: 50% Touriga Nacional, 10% Touriga Franca - e uma casta estrangeira, nesta edição: Cabernet Sauvigon em 40% do lote.
O vinho apresenta-se com uma tonalidade vermelho sobrio e intensidade corante forte. Aromas complexos, etéreo, frutos maduros, frutos secos e notas especiadas. Na boca o primeiro contacto é de um vinho macio e encorpado - frutos negros e especiarias envolvidos por uma ampla estrutura tânica e excelente acidez. Final de boca longo onde se destacam ligeiras notas amargas proporcionadas pelos taninos e o estágio em madeira.
A Ramos Pinto é um produtor clássico no sentido em que preserva o seu estilo, mesmo com inclusão da mais moderna tecnologia.
"As macerações suaves recriam um estilo de vinho que era muito ao gosto de Emile Peynaud em Bordéus, tal como a fermentação total em inox.: poderemos falar de "principios pré Michel Rolland" (Andrew Jefford, in Decanter) - o estilo «Bold» (Michel Rolland) é um piscar de olhos a outros mercados, em que impera a lei das classificações em detrimento do conhecimento ancestral, aprofundado por gerações de famílias no mundo do vinho."
"As macerações suaves recriam um estilo de vinho que era muito ao gosto de Emile Peynaud em Bordéus, tal como a fermentação total em inox.: poderemos falar de "principios pré Michel Rolland" (Andrew Jefford, in Decanter) - o estilo «Bold» (Michel Rolland) é um piscar de olhos a outros mercados, em que impera a lei das classificações em detrimento do conhecimento ancestral, aprofundado por gerações de famílias no mundo do vinho."
Harmonia e contextualização é o que encontramos em cada produto deste produtor. A realidade de 2014 em Portugal comparativamente a 2007, é outra - há os vinhos yammi, ou para quem queira os vinhos do "momento"que muito frequentemente enchem as folhas das revistas especializadas e são fonte de desejo por parte do público, ávido por excelentes sensações, mas é nestas alturas que devemos equacionar o prazer que determinada filosofia nos impõe, sem despeito para cada um dos estilos, é o vinho como cultura de um povo que fica a ganhar e, no geral, os portugueses que se sentem abençoados e saciados pela riqueza vínica do país.


Nenhum comentário:
Postar um comentário