Existem dois métodos de vinificação para vinhos rosés: Rosé de Saignée e Rosé de Presse. No processo de sangria existe duas opções: sangria parcial se uma parte do mosto for vinificada em rosé, sendo o remanescente direccionado para o tinto. No processo "sangria total", todo o conteúdo é vinificado em rosé.
"O método de sangria consiste em separar sem ou com ligeira pressão, o sumo das matérias sólidas da matéria previamente esmagada e macerada". Para resultados satisfatórios a qualidade do enólogo e experiência são fundamentais. Manter a consistência do processo e da qualidade do vinho que se deseja almejar é muito difícil, a fermentação da pelicula pode variar de 7 a 48 horas, valor esse variável, dependendo da região, qualidades das castas e do perfil desejado pelo enólogo.
"A prensagem directa é o método utilizado nos rosés modernos e consiste em prensar muito levemente a uva. A maceração não dura mais do que o tempo de prensagem. A extracção é feita através de um ciclo de prensagem, alterando pressões gradualmente elevadas com ausência de pressões".
"A extracção da cor e a sua qualidade gustativa depende do grau de pressão usada. Uma pressão mais forte contribui para uma maior extracção de taninos e cor".
À medida que a temperatura aumenta na cuba de fermentação, a cor da uva dissolve-se no sumo. Quando a tonalidade da cor é alcançada, efectua-se uma transfega para uma segunda cuba de fermentação desta vez ausente de toda e qualquer componente sólida.
Uma maceração pré-fermentativa contribui para caracterizar os rosés frutados no aroma, acrescentando-os de cor. o equilíbrio entre a estrutura e a cor são determinantes para a qualidade de um vinho que se deseja beber jovem, mas que tenha inquestionável maturidade organoléptica.
Os rosés são feitas de uvas tintas, alguns poderão incluir uvas brancas, mas nunca poderá ser o resultado da mistura de vinho branco com vinho tinto, este procedimento apenas é autorizado na «Região de Champagne», para os famosos Champagne Rosé (bem hajam...).
No século dezanove, dois tipos de vinho eram exportados de Bordéus para Inglaterra: vinho branco e um vinho de cor rosada baptizado pelos ingleses de "Claret". O aroma proveniente dos rosés de Bordéaux são modestos em termos de bouquet, as castas de Gironde não estão adaptadas a tal estilo de vinificação.
Efectivamente que os nativos de Bordéus diferenciam um vinho Rosé de um Claret, sendo para eles (Claret), o resultado de uma fermentação longa, em tudo semelhante à vinificação em tinto. Ganhando corpo e carácter, um aroma muito expressivo de fruta madura, apresentando-se na boca carnudo e envolvente.Sendo um vinho ideal para comida leve e exótica, os chineses insistem (por enquanto),nos Bordéus opulentos.
Em França, Itália e Espanha (maiores produtores), os rosés têm um óptimo preço / qualidade, a vinificação é rápida e não há manutenção de stock nas adegas. A produção de rosé representa 10% da produção mundial, 1/4 da produção é francesa, sendo a região de Provence responsável por 8% do mercado. Os maiores consumidores são os franceses, italianos, espanhois e norte-americanos.
Numa altura em que o "glamour" do vinho rosé enalteceu as cores do verão, um pouco por todo o mundo, numa altura em que a qualidade dos rosés portugueses cativou os consumidores pela diminuição do rosé rebuçado e xaroposo, o valor monetário aumentou na mesma proporção, ou seja, podendo apresentar uma nova realidade aos consumidores portugueses, colocamos o vinho maioritariamente consumido de verão, ao preço do tinto, por uma questão cultural, o português continuará a consumir tinto (mas talvez interesse ao produtor).
Em pleno Chiado, final de uma tarde de Verão, na esplanada do "Café do Chiado", eu e um amigo fortemente ligado às lides do vinho, fomos bebendo um rosé Periquita, conversa de cartas de vinho, informal, de trabalho. Após o primeiro gole fizemos um gesto de concordância pelo prazer recebido, sem pensar muito no assunto, sem falar no vinho, fomos conversando e bebendo, a verdade é que "quase" derrubamos a garrafa. Estes momentos são fascinantes, pela ligação que certas confluências podem proporcionar, em determinado momento.
Apesar de o vinho conter 6,8g/lt de açucar residual, a verdade é que a acidez é o sapato que encaixa no pé, o sabor e textura completam a trilogia dos sentidos.As colheitas de 2011 não vão ajudar à manutenção dos preços, mas num futuro próximo gostaria que todos os produtores de vinho rosé apostassem nos preços de modo a que cada garrafa de rosé comprada, fosse considerada sempre uma grande compra e assim aumentar ainda mais o prazer de beber um vinho que tudo tem a haver com a gastronomia leve de verão.

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