terça-feira, outubro 25, 2011

Escolhas de Rui Falcão


VINHOS NACIONAIS:

  • blog 2009 (Alentejo) – O estranho caso de um vinho que vive numa roda viva permanente entre potência e harmonia… sobrando-lhe pureza, precisão e finura, ou a história de um vinho que envolve um punho de aço numa luva de veludo. Gigante!
  • Quinta dos Roques Reserva 2007 (Dão) – Eis como a austeridade também pode ser entendida como uma virtude, num caso raro de rigor e vigor. A força serena de quem sabe que não é preciso gritar para ser ouvido. Clássico!
  • Quinta da Manoella Vinhas Velhas 2009 (Douro) – Rigor pode rimar com fruta que pode rimar com delicadeza… que pode rimar com textura sedosa. Um vinho completo, sólido mas civilizado, matemático na precisão, melódico no ritmo. Imperial!
  • Quinta do Infantado Reserva 2008 (Douro) – Quando a grandeza consegue andar de mãos dadas com a beleza. Riqueza, subtilezas, nuances e rendilhados. Desenvoltura e firmeza, raça e sensibilidade. Notável!
  • Ultreia 2007 (Douro) – Rijo e sedoso, tenso e dócil, seco e suave, musculado e delicado. Poderá um vinho sobreviver a tantos contrastes? Poderá o Douro conseguir mostrar ainda mais uma faceta desconhecida? Poderá um vinho parecer eterno? Inquietante!
  • Ex Aequo 2008 (Lisboa) – A alto costura conduzida ao extremo da sedução. Homem, terroir, estética e substância. Ou como um vinho também pode servir como conforto da alma. Fruta limpa e cristalina, melodia e organização. Melódico!
  • Quinta de Sant’Ana Alvarinho 2010 (Lisboa) – A compensação de um risco, a alegria de ver uma aposta ganha. Quando a mineralidade se torna desmedida e elevada ao extremo. Severidade, firmeza, nervo, tensão e audácia. Eléctrico!
  • Cavalo Maluco 2008 – (Setúbal) – Um tsunami de proporções bíblicas. A apoteose do belicismo, o triunfo da potência, a vitória do músculo... sem que o equilíbrio seja beliscado. A necessidade de tempo e o conforto do descanso na garrafeira. A certeza de um futuro brilhante. Colossal!
  • Murganheira Cuvée Reserva Especial Bruto 2002(Espumante) – Nobreza e fidalguia, sedução e harmonia, alegria e dignidade. A arte do lote, o saber da experiência, a arte e fleuma para acreditar nas virtudes do tempo. Elegância, frescura e sapiência. Sedução!
  • HM Borges 40 Anos Malvasia (Madeira) – Profundidade, complexidade, tensão, frescura, riqueza e robustez num só copo. O justo equilíbrio entre doçura e frescura, entre fogosidade e formosura. Ou como um vinho consegue fintar as mazelas do tempo. Infinito e intemporal. Descomunal!



 VINHOS ESTRANGEIROS:

  • Franz Künstler Kostheim Weiß Erd Erstes Gewächs Riesling trocken 2009 (Alemanha/Rheingau) – Faísca, nervo e tensão em proporção quase agonizante. A audácia de uma mineralidade impetuosa e colérica. Brutalidade e delicadeza de braço dado. Preciso!
  • Maximim Grünhauser Herrenberg Riesling Auslese 2010 (Alemanha/Mosel) – O zénite da elegância, beleza etérea e intemporal, garbo e distinção. Frescura e limpidez, brilho e viço. A volúpia do açúcar na proporção mais que perfeita. Elegância!
  • Heymann Löwenstein Uhlen Laubach Auslese Lange Goldkapsel 2009 (Alemanha/Mosel) – Beleza mineral aliada à sensualidade e paixão de um corpo rico e untuoso. Tensão e sedução, nervo e ardor, firmeza e audácia. Pecaminoso, sensual e carnal. Lascivo!
  • Penfolds Grange 2006 (Austrália/South Australia) – Quando a sensatez e a loucura habitam na mesma casa. Alegria e contenção, vigor e suavidade, seriedade e tradição. O triunfo da razão, a combinação perfeita entre inovação e tradição. Rigoroso!
  • Nikolaihof Steiner Hund Riesling Reserve 2007(Áustria/Wachau) – Poderá um vinho ser arrancado directamente da rocha, de tão intensamente mineral? Vigor, firmeza, intrepidez, concentração, petulância e rigor num só copo. Gigante e suave. Arrepiante!
  • El Titan del Bendito 2008 (Espanha/Toro) – Alienado, brutal, opulento e decadente. A contraposição ao pensamento politicamente correcto. O fausto da fruta, o abismo da decadência, o aprumo final. Como uma receita certa para o desastre redunda num vinho esplendoroso. Desbragado!
  • Dom Ruinart 1998 (França/Champagne) – Pura poesia. Textura irrepreensível. Complexidade e opulência, finura e austeridade. Alegria e sedução. Fascinante!
  • Gosset Celebris Blanc de Blancs (França/Champagne) – O triunfo da arte do lote, a satisfação de uma educação esmerada. Musculo, finura e finesse. Como radical pode concordar com urbanidade. Impressionante!
  • Sigalas Assyrtiko 2010 (Grécia/Santorini) – Tensão e comoção, intransigência e severidade. A energia a conviver com a delicadeza. Electricidade pura, secura, pureza e loucura. Precisão e rigor. Arrepiante!
  • Gaja Barbaresco 2007 (Itália/Barbaresco) – Charme, leveza, frescura, rusticidade e nobreza. Tradição e inovação, modernidade e classicismo. Emoção e razão, segurança e vigor. A arte de mudar deixando tudo na mesma. Misterioso!

Nenhum comentário: