domingo, maio 30, 2010

Falcoaria 2007, Branco. Ribatejo Doc (Tejo)

Num restaurante, falado pela imprensa, por ter todas as novidades vínicas do momento (Marketing inteligente), jantei com um amigo, faz já um bom tempo.

Observei na prateleira um Falcoaria Tinto, Reserva de 2003, ou 2004 (presumo não ter havido um "Reserva 2003"). Ao pedir o Falcoaria, fui brindado com uma pérola do bom atendimento: "- Eu utilizo este vinho para temperos". O Tinto Falcoaria estava, para mim, muito bom. Mantendo rusticidade, tinha tudo o que se pede num bom reserva: complexidade no aroma, boa estrutura de boca, profundidade e elegância.

A minha porta de acesso à gama Falcoaria, começou nos brancos, foram dos primeiros a ter o nome da casta no rótulo principal. Eram vinhos que bebidos novos ou não, impressionavam.

O facto pelo qual escrevo, é pela prova do branco de 2007: enologicamente está bem feito, bebe-se com agrado, mas não é um Falcoaria, perdeu a matriz e com isso a sua identidade.

A madeira nova tira tipicidade à «Fernão Pires», transmite um aroma e uma densidade ao vinho que o uniformiza entre os demais, não dando lugar a um nome, mas sim a um padrão de estilo.

Em termos de mercado temos uma recompensa no imediato que é a protecção ou aumento da cota de mercado, e possivelmente a "benção" da crítica, mas os apaixonados do vinho, ou os que agora se iniciam, sabem e saberão reconhecer, o branco que era um Falcoaria «á moda antiga" e o branco actual, com a tosta a mascarar e a descaracterizar um vinho que é(ra) um clássico em Portugal.

Todos sabemos que um branco muito exuberante no copo, vai-se anulando aos poucos e não se augura futuro de guarda, nos brancos com aroma fechado pouco expressívo, surpreendem-nos, em geral, pela evolução que sofre no copo, proporcionando-nos um mundo de novas descobertas de matizes e sabores anteriormente ocultos: esse tipo de vinho continuará a evoluir positivamente em garrafa.

Penso que as modas são saudáveis no mundo vínico, implica estudo e empenho para corresponder ao desejo do mercado, em paralelo há uma motivação maior na busca de uma filosofia mais orgânica, de oferecer um produto que seja mais a interacção entre o homem e o solo, não tendo medo de imprimir no vinho as caracteristicas do local, do clima e das castas, acreditando que os consumidores irão avaliar o vinho pelo que ele é não por aquilo que gostariam que fosse. Os produtores que acreditarem neles próprios terão o futuro mais promissor.

Volvendo ao falcoaria Branco de 2007 gostaria que mantivessem o estilo de sempre, com a respectiva evolução obviamente e que, ao utilizar diferentes técnicas e diferentes tipo de estágio apresentassem esse novo vinho com um nome distinto do Falcoaria.

Um comentário:

carla disse...

quando poderemos provar novos vinhos, quando poderemos brindar a um novo post? ja se sente a falta do som da rolha a despertar novas sensações, novos aromas...quem sabe num baunilhado, ou num caramelo ou ate de um furtado...fico a espera da escolha do vinho!